2003-02-14

O AMBIENTE É NOSSO AMIGO: A acreditar na mais recente notícia do DN cá do burgo, parece que a Secretaria do Ambiente meteu o pé na poça e andou a "favorecer" uns em detrimento de outros num concurso que visava adjudicar o fornecimento e instalação de 4 estações de monitorização da qualidade do ar . Acreditamos que não tenha havido qualquer "ilegalidade" propositada. Contudo, certos governantes devem perceber de uma vez por todas que a pressa é muitas vezes inimiga da perfeição e que a ânsia de aparecerem na Comunicação Social também os leva a cometer erros infantis que só servem para manchar a sua imagem. Mas nestas coisas.. quem brinca com fogo pode, muitas vezes, queimar-se....
Este é o 3º artigo no Público de José Manuel Fernandes e intitula-se "A unidade a preservar"

"No início desta semana, o diário francês "Le Monde" publicou um pequeno inquérito sobre a intervenção no Iraque e uma eventual participação francesa. O primeiro a responder, David Douillet, campeão olímpico de judo, declarou que, "para afirmar a grandeza da França, penso que é preciso decidir que não participaremos". E pronto.

Dias antes, nas páginas deste jornal, um dos mais prestigiados intelectuais portugueses, Eduardo Lourenço, titulava um artigo com esta significativa expressão: "Europa via Bagdad". E lamentava que esta crise, em lugar de ter permitido à Europa sacudir a América, tivesse levado boa parte dos seus líderes - os que subscreveram a "carta dos oito" - a assassiná-la. O que era lamentável porque, para a América, "o seu alvo é, sempre foi, pelo menos desde o fim da II Guerra Mundial, (...) a velhíssima, a brilhantíssima, a interessantíssima Europa". Uma Europa que Jean-François Revel, entrevistado nessa mesma edição deste jornal, tinha sido ela a inventar o nazismo e o comunismo, e não a América.

Ao mesmo tempo, quem lê-se a imprensa de além-Atlântico encontraria aí duríssimas palavras dirigidas aos "europeus", esses fracos, tudo sinais da crise do sistema de alianças construído no pós-guerra e que assegurou o mais longo período de paz da história da Europa. Mas uma Europa, não o esqueçamos, com a América a seu lado.

1. Sonhos de grandeza, misérias escondidas

A quase ingenuidade com que o judoca francês invocava "la grandeur de la France" ou a erudição ácida de Eduardo Lourenço são apenas duas faces de uma mesma moeda ou, se preferirmos, de um mesmo sonho: o do regresso da "velha Europa" - "velhíssima", "brilhantíssima"... - ao um lugar de destaque no Mundo.

Na verdade, a última grande batalha que um exército da Europa ocidental e democrática venceu sozinho foi a de Al-Alamein, onde Montgomery desfeiteou Rommel, e a última vez que potências europeias tentaram uma aventura militar no Médio Oriente - quando França e Reino Unido atacaram o Egipto por causa do Suez -, a campanha resultou num terrível desastre. Mais: durante 40 anos, a Europa Ocidental dependeu da presença americana para conter a ameaça soviética, e, mesmo depois da queda do Muro de Berlim, a Europa teve de pedir a ajuda ao amigo americano para repôr a ordem no "vespeiro" dos Balcãs, após anos e anos de "diplomacia".

Apesar desta dura realidade, alguns dos grandes da Europa nunca desistiram de ser actores de primeira grandeza no palco internacional. Só que ao seu peso económico nunca correspondeu uma sombra de equivalente peso político e militar. Pelo contrário. Mesmo assim não quiseram abdicar da sua "grandeur", mesmo quando essa "grandeur" é a de um fidalgo pedinte.

Asiim se gerou uma relação ambivalente com os Estados Unidos. Nos momentos cruciais, nunca a Europa democrática deixou de estar a seu lado, como o eloquente exemplo do 11 de Setembro mostrou. Mas tal solidariedade foi sempre acompanhada pelo desconforto da relação desigual. Pior: o desconforto da menoridade levou a que a solidariedade fosse muitas vezes assumida de forma tíbia, envergonhada, como se em lugar de existir uma relação saudável entre nações que partilham valores comuns, a solidariedade fosse antes um vexatório sinal de vassalagem.

Por isso, num continente onde resistiram sempre os nostálgicos dos "paraísos na terra", ou das "nações puras", a falta de um claro envolvimento - afectivo, se necessário - com os parceiros de além-Atlântico, envolvimento a assumir ao mais alto nível, permitiu que nunca desaparecesse, à esquerda ou à direita, um antiamericanismo larvar, pronto a despertar ao primeiro instante.

2. Os limites do novo império

Do lado de lá do Atlântico é difícil compreender estes estados de alma. E se nuns casos houve a preocupação de ser gentil com os aliados, noutros prevaleceu a fria asserção de que, em política externa, os Estados não têm aliados permanentes, têm apenas interesses permanentes.

Tal sucedeu em vários momentos e várias administrações e os primeiros sinais da Administração Bush iam nesse sentido, designadamente quando se desvinculou do processo de Quioto. Mas há que ser justo: não é isso que tem sucedido no caso do Iraque.

A Casa Branca definiu como objectivo acabar com Saddam e o seu regime, e agiu sempre em conformidade e com clareza. Por palavras e por actos, já que quando não se é capaz de demonstrar que se pode passar das palavras aos actos - isto é, quando não se possuem forças militares na região - a diplomacia não tem condições para ser eficaz. Sem uma ameaça credível de guerra continuaríamos como estávamos desde 1998, paralisados e com o Iraque fechado aos inspectores da ONU.

Claro que muito disto tem passado à margem de toda a Europa, com excepção do Reino Unido. Claro que não é agradável. Pior: é humilhante. Como foi humilhante o papel secundaríssimo que os norte-americanos "concederam" aos seus aliados na campanha do Afeganistão. Mas também convem não esquecer que países como a França ou mesmo a Alemanha têm o seu jogo para jogar, relações próprias com o mundo árabe e interesses menos confessáveis no petróleo iraquiano.

Assim, se se pode acusar os Estados Unidos de unilateralismo quando afirmam que derrubarão Saddam com ou sem uma nova resolução das Nações Unidas, não se puderá igualmente acusar de unilateral a declaração alemã de que ficará de fora de um esforço de guerra mesmo que este seja decidido pela ONU?

3. O mais importante

Mas, para além de todas as interpretações que possamos fazer das fraquezas e divisões europeias e da determinação americana, há algo de muito importante que não pode ser destruído: é que América e Europa encarnam, no essencial, os mesmos valores e o mesmo modo de vida. O que nos une é muito mais do que aquilo que nos separa, pelo que se devemos exigir a Washington que se digne olhar para este lado do Atlântico, não devemos ao mesmo tempo pensar e agir como se a nossa "grandeur" dependesse da oposição que fizermos a Washington.

Tanto mais que, no futuro do Iraque e do Médio Oriente, a Europa sozinha é impotente, os Estados Unidos sem uma grande aliança não chegam. Porque depois de Saddam, e para que valha a pena travar uma guerra para livrar o Iraque e o mundo desse perigoso ditador, há toda uma região a reconstruir. Sem pensar nisso não faz sequer sentido enquadrar a actual campanha na luta contra o terrorismo - por razões morais, mas também por motivos bem pragmáticos."
E a boa notícia de hoje é a ressureição do Ministro da República, Monteiro Diniz, depois de ter sido dado como clinicamente morto. Este demorou bem mais do que os três dias habituais, mas mesmo assim não foi nada mau.... Ao que consta houve uma dificuldade evidente para substituir o Ministro e o nome mais falado e aquele que toda a Madeira efectivamente desejava, o Vicente Jorge Silva, não estava disponível por se encontrar neste momento em tratamento psiquiátrico. Contudo, ficou a promessa de que, mal aconteçam melhorias significativas, Vicente poderá encabeçar este novo cargo e lutar, como sempre desejou, pela emancipação da cagarra, do lobo marinho, do ursinho Puff e da Abelha Maia. Força Vicente. Estamos contigo!!!

2003-02-13

Temos o nosso querido Ministro de volta!!... iupi!!!...viva o Rei!!!... estamos vivos de novo!!!...

Sr Ministro, bem vindo de volta e que a sua estadia, até a próxima Revisão Constitucional, passe o mais depressa possível. E não se esqueça de fechar bem a porta quando sair...
(ver notícia aqui)
Desafio para os próximos dias: "Alguém viu a oposição?"
Este é o segundo artigo de José Manuel Fernandes no Público sobre a crise iraquiana e intitula-se: "Sair do jogo do rato e do gato"

"Na sua recente entrevista ao PÚBLICO e à Rádio Renascença, Mário Soares disse estar "em completa oposição" à utilização "do pretexto do ditador e da ditadura para subverter o direito internacional" no caso da crise iraquiana. Na sua opinião, o ponto da actual discussão não é esse: "é a nova estratégia para o mundo, que se chama a guerra preventiva para defender aos interesses vitais dos Estados Unidos", algo que depois comparou ao que fez Hitler. E mesmo se o Conselho de Segurança vier a dar luz verde a uma invasão, Mário Soares afirma que vai "continuar a dizer que a guerra é um mal", o que é seu inalienável direito, sobretudo vindo de quem ainda não não compreendeu "muito bem o que se ganhou com a guerra do Afeganistão", apesar de esta ter acabado com a ditadura dos taliban.
Julgo que estes pontos de vista são um bom ponto de partida para, na sequência do que penso dever ser um adquirido por todos - Saddam Hussein é um ditador odioso e o seu regime possui meios (os rendimentos do petróleo) para se rearmar e ameaçar a estabilidade da região e a segurança mundial -, discutir a forma de o travar. É nesse quadro que regressaremos à opção da guerra.

1. Dez anos de contenção e apaziguamento

Quando, após apenas quatro dias de combates terrestres, o pai do actual Presidente dos Estados Unidos declarou o cessar-fogo unilateral após uma das vitórias mais rápidas e esmagadoras da história militar, fê-lo com base em cálculos militares errados - julgava já ter destruído o essencial do exército de elite de Saddam, a Guarda Republicana, quando grande parte desta conseguira escapar ao cerco. Fê-lo também porque temia que aquilo que estava ao alcance da mão - chegar a Bagdad - constituísse um objectivo que dissolvesse a grande coligação internacional, porque receou o efeito nas opiniões públicas de imagens de destruição e morte como as da famosa "autoestrada da morte" (a armadilha mortal em que caíram milhares de iraquianos em fuga da Cidade do Kuwait) e porque não existia nenhuma solução pós-Saddam preparada. Mas fê-lo sobretudo porque acreditava que, com o seu poderio militar arrasado e um sistema de sanções em vigor, o ditador acabaria por cair. Como os anos demonstraram, enganou-se. Assim como se enganaram todos aqueles que tanto nessa Administração, como na que se lhe seguiu - a de Clinton -, julgaram poder lidar com Saddam apenas com base numa política de contenção e apaziguamento, em linguagem popular, uma política de "pau e cenoura".
Por isso, quando a Administração de Bush filho chegou à Casa Branca, uma das suas primeiras prioridades foi rever a política iraquiana dos Estados Unidos e uma das primeiras missões do antigo chefe de Estado Maior ao tempo da guerra, Colin Powell, agora secretário de Estado, foi precisamente realizar um périplo pelo Médio Oriente para preparar um novo pacote de "sanções inteligentes" contra o regime de Bagdad. O 11 de Setembro mudou as prioridades, mas não fez esquecer Saddam. Daí que, terminada a guerra no Afeganistão, tenhamos vindo a assitir, há meses, ao regresso do risco de um novo conflito, agora contra Bagdad. Aqui, do meu ponto de vista, já não estamos perante um enfrentamento directo com a Al-Qaeda (a parte referente às ligações Saddam-Bin Laden foi a menos consistente do discurso de Colin Powell, a semana passada, perante o Conselho de Segurança), mas perante a colocação como ponto central da agenda de um objectivo já definido, mas não perseguido com determinação, durante a Administração Clinton: a necessidade de mudança de regime em Bagdad.
De facto, tanto Clinton como Madeleine Albrigth, e principalmente o vice-Presidente Al Gore, assumiram o fracasso do sistema de sanções e fiscalizações. As sanções, mesmo as que procuraram beneficiar o povo e escapar ao controlo do regime, acabaram sempre por permitir a Saddam utilizar o programa de troca de petróleo por alimentos para fazer enriquecer os fiéis, pagar melhor às tropas mais dedicadas, continuar a comprar materiais destinados a programas bélicos, tudo ao mesmo tempo que nas regiões do Iraque que lhe são menos favoráveis as populações continuaram a morrer de fome.
Quanto aos inspectores, estes haviam saído do país em 1998, deixando as mãos livres a Bagdad. E durante os muitos anos que por lá andaram nunca conseguiram contar com a colaboração das autoridades, apesar de tal ser expressamente exigido pelas resoluções da ONU. Sendo que durante estes anos o regime chegou a mostrar o seu carácter agressivo, nomeadamente em 1994, quando deu indicações de que poderia voltar a invadir o Kuwait.

2. A díficil opção

Temos pois que, de uma forma geral, a estratégia de contenção e apaziguamento não eliminou o perigo iraquiano e que, com o passar dos anos, a tendência será sempre para ir aliviando a pressão, dando mais espaço para Saddam fazer o mesmo que Kim Jong Il: construir uma arma nuclear.
Neste ponto duas escolas de pensamento divergem. Uma, cuja explicitação mais clara e fundamentada encontrámos no livro que aqui ontem citámos - "The Threatening Storm - The Case for Invading Iraq", de Kenneth Pollack -, sustenta que a mudança de regime é indispensável e que só uma invasão, com todos os seus custos e riscos, a pode conseguir. A outra defende que Saddam Hussein deseja acima de tudo manter-se no poder e que, apertando o cerco, é possível mantê-lo como que "congelado", minimizando os perigos que representa para a região e o mundo. Até ao momento, a mais articulada defesa desta tese li-a na revista "Foreign Policy", no artigo "An Unnecessary War", de John J. Mearsheimer e Stephen M. Walt.
Confrontado com as diferentes argumentações, não é fácil a escolha. Em princípio, tudo deve ser feito para evitar uma guerra. Mais: nenhum chefe de um país democrático toma de ânimo leve a decisão de mandar os seus jovens para uma frente de batalha sempre imprevisível. Contudo há situações em que uma guerra não pode ser evitada.
Uma delas é fácil de definir: trata-se de nos defendermos de uma agressão. É a situação em que podemos facilmente classificar a Guerra do Golfo de 1990/91 ou mesmo a recente Guerra do Afeganistão, de acordo com os parâmetros definidos pelas Nações Unidas.
Outra, mais controversa, é a noção de "guerra humanitária". Trata-se de intervenções noutros países para defender os seus povos de agressões dos seus governos ou poderes instalados. Cabem nesta categoria intervenções como as da Somália, Haiti, Timor-Leste ou Kosovo, esta última realizada sem autorização da ONU.
Finalmente surge agora a ideia de "guerra preventiva", no fundo uma guerra destinada a evitar um mal maior, uma guerra mais destrutiva. Há poucos exemplos anteriores, mas podemos considerar o raide israelita que destruiu um reactor nuclear iraquiano em 1982 como uma acção de "guerra preventiva".
Estamos pois perante o dilema de escolher entre tentar "conter" Saddam, continuando a jogar ao gato e ao rato e a acreditar que não tomará iniciativas que impliquem a sua própria autodestruição, ou, em alternativa, optar por uma invasão de que resulte uma mudança de regime.
Para já a escalada militar dos Estados Unidos e do Reino Unido conseguiu algo muito importante: Saddam deixou de ignorar os avisos das Nações Unidas e os inspectores regressaram ao Iraque. A demonstração de força impôs um cumprimento mínimo das resoluções da ONU, algo que não sucedia desde 1998. Isso chega? Duvido. Para que Saddam realmente capitule é necessário mais. E se ele não capitular, viver-se-á permanentemente sob uma "espada de Dâmocles", no receio de que no momento em que o cerco deslasse o tirano consiga rearmar-se e regressar aos seus projectos agressivos.
Daí que uma guerra capaz de evitar uma guerra pior possa fazer sentido. É nisso que acreditam os que defendem que a alternativa militar deve manter-se e a pressão deve ser credível. O que exige uma maior unidade da comunidade internacional: é que se podemos discutir se a resolução 1441 já contém em si matéria suficiente para autorizar uma intervenção militar, é indiscutível que uma segunda resolução daria à comunidade das nações - e à única potência capaz de conter Saddam - uma autoridade indiscutível para actuar no quadro do direito internacional. Sendo que, nesse momento, para salvar a pele, talvez Saddam por fim capitulasse evitando a guerra, algo que dificilmente fará enquanto vir divisões entre os aliados."

Continua amanhã.
Portugal vai encerrar. Talvez antes do Europeu...
O Ludgero Marques, patrão dos patrões, disse a respeito do encerramento de várias empresas em Portugal mais ou menos o seguinte: "o que devia fechar não são as empresas, devia ser o estado pelo sua ineficácia e falta de produtividade. Se o estado português tivesse que concorrer com outro fechava no dia seguite!!". Tem toda a razão, patrão... só se esqueceu de uma coisa... é que o estado português concorre mesmo com outros estados, na economia glabal em que vivemos. Sendo assim, pela lei natural do mercado concorrêncial que dita o encerramento das empresas mal geridas, também Portugal terá de fechar as suas portas e mandar-nos todos para o 'desemprego'... teremos de passar a enviar curriculums para outros países... eu vou tentar em Espanha.
É urgente que se perceba que as reformas do estado são agora necessárias como de pão para a boca. Portugal corre o risco de não ter dinehiro para pagar os salários no fim do mês...
O melhor jogo da jornada europeia foi um sempre estrondoso e imprevisível Albânia - Vietname, ganho pelos primeiros por cinco golos (!!!) sem resposta. Extraordinário este mundo do futebol.....
Descobrimos um leitor nosso que também prefere o MacDonald's ao eixo croissant-salsicha. Diz o Marco G.: "Saúdo e concordo com o autor. Já agora que se desmascare os interesses económicos deste eixo franco-alemão no país de Saddam (são os principais credores do regime). Até mais!". Até sempre Marco G.. E volta mais vezes. A tua mensagem serve-nos de estímulo para continuar...

Parabéns à Meryl Streep. 13 nomeações ao longo da carreira para os óscares é obra e um feito único na história do Cinema. Meryl prova que para se ser talentoso não é preciso ser-se lindo e que em Hollywood ainda há quem perceba alguma coisa de cinema.
Pergunta do Dia: Por que razão para se ser seleccionador nacional é preciso ter um farto e inestético bigode?
Parabéns à Selecção Nacional. Perder apenas por 1-o contra a Itália é sempre um resultado digno de registo. Como diria o Poeta Artur: "Vamos tentar fazer coisas bonitas tendo a consciência de que a Letónia, perdão o Luxemburgo, é das equipas mais fortes da Europa. Mas vamos tentar marcar mais golos do que eles tendo sempre a possibilidade de, mesmo perdendo o jogo, ganhar uma equipa. E isso é que é bonito no futebol."

2003-02-12

Talvez o problema esteja naqueles que querem idealizar uma União Europeia contra os Estados Unidos e não com os Estados Unidos. O problema é afinal uma questão de ciúmes e de poder, de gente que não consegue olhar além do seu pequenino umbigo e que quer fazer da Europa uma união menor de Estados, feita contra as pessoas em prol de interesses obscuros dos supostos mandantes desse eixo franco-alemão. Eu, caros leitores, em qualquer situação, prefiro sempre o suposto imperialismo americano que o chauvinismo francês ou a mania de superioridade alemã. Antes o MacDonald’s que o croissant com salsicha alemã. Voltarei a este tema com mais cuidado e com mais tempo. Prometo-vos em breve fazer um apanhado pessoal de toda esta situação. Aguardem-me.
Lembram-se de alguém dizer que a política externa da Europa era com um Airbus 340 sem piloto nos comandos? Pois é... esse avião vai agora a pique contra o solo e os ‘passageiros’ brigam para ver quem fica com o pára-quedas mais bonito... e que se lixe o avião e que morram os outros todos...

Esta é a situação actual da política externa Europeia em relação à gestão do caso Iraque. Se o perverso do Saddam serviu para alguma coisa nos últimos tempos, foi para por a claro a fragilidade dos laços que unem, por um lado os países europeus membros da EU, e por outro a hipocrisia dos laços entre europeus e americanos no seio da NATO. Como português e europeu sinto-me profundamente triste por assistir à forma descoordenada e embriagada que os países europeus têm manifestado cada um pela corda que lhes é mais fácil ou conveniente agarrar.

E não há coisa que me meta mais nojo e impressão do que os chamados, ‘artistas’ conhecidos de esquerda, que vêm dar a sua opinião poética sobre os conflitos e sabem apenas dizer que são contra a guerra e que os americanos são os mãos da fita que brincar às bombas... quando lhes cair um avião nos cornos talvez se lembrem de pedir ajuda...

Sem mais alongamentos vamos ao que importa: ninguém de bom senso é a favor da guerra. Ninguém de bom senso é a favor duma intervenção militar unilateral dos EUA no Iraque ou noutro sítio qualquer. Ninguém de bom senso veta uma intervenção caso se prove a existência de perigo eminente por parte de qualquer país. Aguardo serenamente pelo relatório do Dr. Blix para que se apure a verdade dos factos e aí sim tomemos todos (leia-se ONU) a melhor decisão e de forma unanime. Ponto Final.
Esta é o Editorial de José Manuel Fernandes no Público de hoje. Afinal, o Público só encontrou 4 personalidades a favor da Guerra mas o seu director vale bem mais algumas. Prometemos que vamos aqui publicar os restantes artigos de JMF sobre esta temática.

Editorial: "O Império contra o Iraque": assim titulava, numa alegoria cinematográfica, a nova bíblia da esquerda radical, o "Le Monde Diplomatique", o seu dossier sobre a actual crise internacional. É certo que, a seguir, não apresentava Saddam Hussein como uma encarnação de Lucas Skywalker nem George W. Bush como o sinistro Darthvader, mas a insinuação ficava lá, subliminar. E com ela se colocava o mundo de pernas para o ar.
Por isso, agora que se aproximam dias decisivos e se discute a guerra e a paz - e que facilmente todos nos podemos declarar "pela paz e contra a guerra", quer achemos que a guerra é a melhor forma de garantir uma paz justa e duradoira, quer, alternativamente, continuemos a raciocinar da mesma forma que os manifestantes que gritavam, há vinte anos, "antes vermelhos que mortos" -, é conveniente recolocar os pés no chão e, fugindo aos "slogans" e às simplificações, tentar ver o que está em causa na crise iraquiana, nas relações entre a Europa e os Estados Unidos e no futuro do Médio Oriente.

É o que procurarei fazer numa pequena série de artigos.

1. A natureza do regime de Bagdad

Apesar de ter sido dito e redito, provado e comprovado, é bom não esquecer que o regime imposto por Saddam Hussein ao Iraque é uma das ditaduras de contornos mais ferozes que o mundo conheceu desde o colapso do nazismo e do estalinismo. É um país que, segundo o relatório de 2002 da Comissão para os Direitos Humanos da ONU, "comete de forma sistemática e generalizada graves violações dos direitos humanos", baseia o seu poder "no terror generalizado", promove execuções sumárias e arbitrárias, utiliza a chantagem sobre as famílias dos dissidentes para os domesticar, "pratica a violação como uma arma política", promove "desaparecimentos" e utiliza correntemente a tortura.

John Sweeney, um repórter veterano da BBC, esteve diversas vezes em Bagdad, escreveu: "O medo é aí tão omnipresente que quase podemos comê-lo. Ninguém fala." E Mas van der Stoel, funcionário das Nações Unidas, considera que a brutalidade do regime "é tão grave que tem poucos paralelos nos anos que passaram desde a II Guerra Mundial".

Estes testemunhos são citados por Kenneth Pollack, antigo conselheiro da Administração Clinton e actualmente professor na Brookings Institution, em Washington, no seu recente livro "The Threatening Storm - The Case for Invading Iraq".

Este autor recorda que este regime é capaz de arrancar os olhos a uma criança ou partir os ossos de um bebé de dois anos para conseguir a confissão dos seus pais; que é capaz de mergulhar lentamente os seus inimigos em ácido quer para os fazer confessar, quer para lhes proporcionar uma morte lenta; que ainda no ano 2000 decretou que o crime de criticar Saddam Hussein é punível com o corte da língua; que pratica a violação sistemática das mulheres e das filhas dos seus prisioneiros, à vista destes; que este é ainda o regime que mandou desviar as águas do Tigre e do Eufrates das terras alagadiças do Sul do país, zona onde viviam árabes de religião xiita que lhe eram hostis, provocando a morte pela fome de aldeias inteiras. Isto sem esquecer as armas químicas utilizadas contra os curdos, que arrasaram aldeias inteiras, ou a utilização dos prisioneiros da guerra Irão-Iraque para testar a melhor forma de dispersar armas químicas e biológicas.

Comparadas com os métodos desta ditadura, as graves violações dos direitos humanos praticados por Pinochet ou pelos generais argentinos e brasileiros são brincadeiras de criança. E Milosevic um aprendiz. Ao nível de Saddam Hussein, nas últimas décadas, só a demência de Pol Pot e a opressão do regime norte-coreano.

Face a isto convém não ficar pelas meias-tintas e por frases equívocas. Saddam é um ditador e qualquer democrata, qualquer liberal, desejaria ver-se livre dele com pelo menos o mesmo vigor e entusiasmo com que lutou pela queda de Franco, de Pinochet ou do nosso bem cândido - à escala, naturalmente - Salazar.

Se desejamos um mundo livre de ditadores, um dos primeiros a combater, pela sua brutalidade, pela sua crueldade, pelos sofrimentos que impõe ao seu povo, será sempre Saddam Hussein. Eis um ponto em que poucos deverão estar em desacordo.

2. Saddam é mais perigoso que os outros ditadores?

Mesmo estando de acordo que não podemos vestir Saddam como se ele fosse a encarnação actual de Lucas Skywalker, por que motivo havemos de nos concentrar neste ditador em particular? Afinal, ditadores é coisa que, infelizmente, continua a abundar no mundo, com destaque para África e para o próprio Médio Oriente. Não será por causa do petróleo?

A verdade, nua e crua, é que é. Mas não pelas obscuras razões que os adversários da uma política dura relativamente a Saddam invocam: é que o facto de Saddam estar "sentado" - é o termo - sobre uma parte substancial das reservas mundiais de petróleo constitui um duplo problema: primeiro, permite-lhe ter acesso a meios financeiros capazes de alimentar um programa militar ambicioso (apesar de só contar com cerca de 20 milhões de habitantes, antes da guerra do Golfo o Iraque dispunha do quarto maior exército do planeta); depois, permite-lhe influenciar o mercado de um bem essencial - por enquanto e por mais algumas décadas - à economia de todas as nações, utilizando tal poder para fazer chantagem.

Isto faz de Saddam Hussein um ditador que não é apenas perigoso para o seu povo: é desestabilizador para região e perigoso para todo o mundo.

Mesmo nos últimos anos, em que supostamente o regime de Bagdad só pôde utilizar o recurso petróleo para comprar alimentos para uma população esfomeada, quer através das senhas de racionamento, quer através do contrabando, quer através do desvio de fundos, Saddam logrou não só retomar os seus projectos militares, como construir 50 novos palácios (alguns deles com salas forradas a ouro) e apertar ainda mais o controlo sobre a população. O simples facto de hoje os iraquianos dependerem de senhas de racionamento para comerem impede-os de se deslocarem ou de manifestarem qualquer dissidência - antes os obriga a obedientemente ir votar ou manifestar-se pelo seu líder.

Quanto ao facto de o Iraque persistir nas suas tentativas de desenvolver armas de destruição maciça, julgo não existirem grandes dúvidas. Não terá conseguido o seu grande objectivo - dotar-se da arma nuclear -, mas até os serviços secretos da céptica Alemanha já prepararam medidas para a defesa contra algumas das armas biológicas (designadamente o perigoso vírus da varíola) que Bagdad possuirá.

Que Saddam desobedeceu, de forma persistente e contumaz, não a uma ou a duas resoluções das Nações Unidas, mas a dezoito; que tem jogado ao gato e ao rato com a comunidade internacional; que escondeu armas químicas e biológicas; que não colaborou ainda com as inspecções; que omitiu factos, ou mentiu sem rodeios, nos documentos que entregou ao Conselho de Segurança. Sobre todos estes factos só os cegos que não querem ver é que persistem na necessidade de procurar mais "provas".

Intimamente todos sabem que essas provas existem - o que se recusam a fazer é admitir aquilo que qualquer criança aprende, em Bagdad, logo nos bancos da escola infantil: que as armas que Saddam Hussein acumula se destinam a cumprir o seu sonho bélico de devolver aos árabes o esplendor perdido e, muito especialmente, recuperar Jerusalém. Basta lembrar que o livro por onde aprendem a história de Saladino tem mais fotografias de Saddam do que imagens do guerreiro que expulsou os cruzados da Terra Santa e termina referindo o ditador como... Saladino II."
Parabéns ao Pedro Mexia, ao Vasco Graça Moura, ao João Braga e ao Fernando Gil. Vocês são de facto uma salutar minoria neste país.
O Público, que de burro não tem nada, decidiu fazer um inquérito a 25 intelectuais e artistas portugueses. A pergunta era muito simples: “Está contra ou a favor da iminente guerra contra o Iraque como solução?”. Dos 25 pseudo intelectuais e artistas apenas 4 se mostraram a favor, o que demonstra bem a pertinência do inquérito: felizmente, e esta é a boa notícia, ficamos a saber que ainda há uma minoria intelectual, neste país, lúcida e que entende perfeitamente o que está em causa no actual panorama internacional. O objectivo do inquérito é óbvio, e deixo as interpretações para cada um de vós. O que me choca é a propaganda que aqui se pretende fazer como se não fosse possível encontrar outras opiniões favoráveis à intervenção. Rigor jornalístico para o Público é isto: ouvir um dos lados da questão. Eu já estou esclarecido. E vocês?

2003-02-11

Concurso/Passatempo: quantas jornadas mais aguenta o Prof. Nelo Vingada no comando do Marítimo?
Segundo Concurso/Passatempo: de que está à espera o Sr. Carlos Pereira para mandar o treinador do Marítimo embora? Do complexo desportivo? Ou do estádio completamente vazio??
E já agora Sr. Ferro Rodrigues, também admira a D. Manuela das Finanças?
Frase da Semana: "Tenho admiração por Durão Barroso", Eduardo Ferro Rodrigues em entrevista a Margarida Marante na Notícias Magazine do último domingo. É caso para perguntar: importa-se de repetir?
O dia amanheceu triste, frio, demasiado cinzento e sem prometer grandes chouriços. O Saddam continua a rir-se, a guerra ainda não começou e parece que a União Europeia ainda não se desmantelou.
Entretanto, Carlos Silvino, mais conhecido por Bibi das Meias Altas ou das Cuecas Baixas, foi ontem ouvido no Tribunal de Instrução Criminal mas cá para fora pouco ou nada transpirou. Ainda não foi desta que outro grande nome da Lux e da Caras patrocinado por uma qualquer marca de iogurtes, se viu nas SMS dos telemóveis a rodar como anedota.
De resto, tudo na mesma: o desemprego disparou, a crise instalou-se, a ministra das Finanças é a pessoa mais odiada no país (tirando o Bibi), e o Mário Soares e o Pacheco Pereira divergem sobre a questão da guerra. Tudo isto para não variar. Como vêem tudo normal neste nosso grande Portugal.
Última Hora: 135% (como o Sr. Vicente também diz que na Madeira é tudo controlado, entendemos que também devíamos manipular este referendo) dos madeirenses concordaram que o Sr. Vicente seja independente e tratado, a partir de agora, como um reles e abjecto cubano.
Pois é. A nova pergunta para referendo deve ser então: Concorda que se dê a independência ao Sr. Vicente, do PS do Largo do Rato?

2003-02-10

As minhas primeiras palavras neste espaço de ‘má língua’, que se espera seja ‘boa’ na defesa e propagação dos ideais que o comandam, vão direitinhas para um homem, que nem o nome devia para aqui ser transcrito, mas que pela monstruosidades das suas verborreias e pela estupidez das suas afirmações deve ser nesta página emoldurado, ou melhor, enforcado.
Vicente Jorge Silva, ex-jornalista, pseudo-realizador, pseudo-comentador, pseudo-deputado,pseudo-socialista e ex-madeirense.
Sentindo a sua atroz incapacidade para esgrimir argumentos válidos que contribuam para o esclarecimento do que é, e deverá ser, o regime autonómico da sua terra natal, este sr. Vicente vem propor que se faça um referendo na Madeira perguntando se os madeirenses querem a independência. Os madeirense saberiam dar a sua resposta, como portugueses de alma e coração que são. O que me preocupa neste pseudo-episódio é que se dê ouvidos a cabeças torpes com a deste homem... mas há males que vêm por bem. Agora, todos os madeirenses sabem que com este sr. não contam mais, e que quando o virem hão-de fazê-lo sentir-se como o pior dos homens, como um rejeitado pela Madeira.
Sabia que o escorpião se suicidava quando pressentia o perigo e a insegurança à sua volta. Agora sei que o sr. Vicente também faz o mesmo.
E para começar em beleza vamos abrir as hostilidades batendo no Sr. Jacinto, pseudo-líder de uma facção de 6 militantes do PS/Madeira da Rua do Surdo. Ora parece que o Sr. Jacinto, segundo o DN Madeira de hoje, faz parte de uma comissão para a Revisão Constitucional que defende o aprofundamento das Autonomias e dos poderes dos Parlamentos Regionais. O bom do Sr. Jacinto até que ia no bom caminho, se as ideias fossem dele. Para variar, em prol de uma unidade que ninguém vê, os súcias cá do burgo vão a reboque de quem é mais colonialista do que autonomista. Mas que fazer? Há tantos anos a levar nas trombas que não há maneira desta gente aprender.
Depois de uma discussão a 12 rounds, ganha por KO técnico, decidimos que este blog será madeirense, pró-autonomista e de direita. Quem não gostar que procure outro.
Nota: neste momento estamos em reunião virtual para estabelecer os princípios programáticos deste Blog. Sim, nós sabemos que isso já devia estar definido, mas como bons portugueses que somos deixamos o mais importante para o fim. Tenham paciência. Roma e Pavia não se fizeram num dia.
Benvindos ao Blog da Má Lingua!!! Este espaço iniciou a sua actividade às 11h15 do dia 10 de Fevereiro de 2003. A partir deste dia a internet nunca mais será a mesma.